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O que as faculdades de Direito não ensinam

De acordo com o que você sempre ouviu, advogado bom é aquele que:

a)            briga (    )

b)           ganha a briga e a causa (    )

c)            resolve o conflito, a causa e preserva a relação (    )

Desde o primeiro ano da faculdade de Direito somos ensinados a litigar, o tempo todo.

Pare e pense no perfil do estudante de Direito, aquele do passado: geralmente uma pessoa combativa, questionadora e… briguenta! Arruma encrenca na fila do caixa, na rua, no condomínio, no grupo de amigos… treta por todos os lados e tudo vira processo! E a mãe ainda dizia: “Meu filho será um ótimo advogado!”

Nosso sistema jurídico aqui no Brasil se baseia na lei como precedente para ações judiciais (civil law) e isso faz com que, quase que automaticamente, o operador do Direito tenha em mente que a solução para todos os problemas está na propositura de ações perante o Poder Judiciário.

As faculdades não ensinam sobre a advocacia em si, muito menos sobre a advocacia consensual. O curso de Direito nos ensina a decorar leis e códigos, a preparar petições usando termos em latim e a brigar com a parte contrária. Quantos advogados que você conhece advogam além do Judiciário?

As faculdades de Direito não ensinam a fazer acordos, a dialogar, a negociar, a mediar, a oferecer ao cliente um caminho rápido, fácil e acessível, através do sistema multiportas.

As faculdades de Direito não ensinam que podemos gerir nossas próprias demandas, encaminhando cada caso para a melhor ferramenta e ganhando tempo, liberdade, rapidez nos honorários, mobilidade.

É necessário que as faculdades formem profissionais multidisciplinares, que conheçam além da parte técnica, pois hoje em dia não basta que o advogado conheça sobre as leis e processos. É urgente que as faculdades ensinem sobre habilidades comportamentais como inteligência emocional, resiliência, comunicação assertiva, flexibilidade, princípios éticos, dentre outras, porque é isso que vai possibilitar o profissional a exercer um trabalho eficiente junto ao seu cliente.

Há que se falar, ainda, em mudança de mentalidade, pois muitos advogados não conhecem as ferramentas extrajudiciais de solução de conflitos, engessando o resultado de seu trabalho, limitando-o a intermináveis ações judiciais.

Seria ideal que o Poder Judiciário fosse acionado apenas para as questões mais complexas, cujos litígios são realmente inevitáveis e que todas as outras pequenas demandas, de fácil resolução, pudessem ser encaminhadas para a autocomposição. E como conseguir isso? Ensinando e educando a nova legião de advogados e operadores do Direito, que muito têm a ganhar neste formato inteligente de se resolver conflitos.

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